28 outubro, 2015

Tio Rex

Embora novo, Miguel Reis tem já uma discografia invejável onde conta três EP's e dois discos, o último dos quais "Ensaio sobre a Harmonia" o trouxe a Viseu numa tour de apresentação. Acompanhado pela Marta Banza, o cantautor Folk setubalense forma um duo perfeito com a pianista. Que o diga quem esteve na Fnac de Viseu. Mesmo naquele espaço onde o ruído da loja e do bar normalmente impera sobre a música, as cantigas de Tio Rex fizeram-se ouvir mais altas. Direi melhor, o silêncio gerado deixou que as músicas se ouvissem perfeitamente. E quando assim é, é sempre especial.

Para o casal o Musiquim lançou o desafio de ir até ao Mercado 2 de Maio. Numa época em que se discute qual será o destino da obra de Siza Vieira e que alterações sofrerá, decidimos tirar proveito do que existe e tocar junto a uma poça de água. Esperemos nós que fosse apenas água.

Com o apoio do Velocafé, conseguimos ter electricidade para o teclado da Marta e cadeiras para um conforto que nem sempre tem lugar no Musiquim. O Miguel estava ansioso, não por causa da música ou das filmagens, mas porque o Benfica estava prestes a começar o dérbi contra o Sporting. Para os mais atentos, o relato pauta o ruído de fundo da canção por entre os carros, os pássaros e a restante vida da cidade. Ainda assim, mal as primeiras notas se fizeram ouvir, o ambiente que se criou era outro. A música é The Kingdom e faz parte do primeiro trabalho que Tio Rex publicou, em 2012. Agora com um arranjo diferente, mais lenta e mais amadurecida a canção existiu naquele momento como se fosse tudo o que importa. Foi esse o momento que registámos.

O que registámos, mas por respeito só escrevemos, foi o desgosto de Miguel ao perceber que o Benfica sofrera o primeiro golo. E depois outro. E depois mais outro, mas por essa altura já o futebol não tinha importância nenhuma.

A música de Tio Rex não fala de futebol, mas fala de emoções, e se quiserem ouvir um pouco mais, dirijam-se até ao seu bandcamp.


ou no Vimeo: The Kingdom

01 outubro, 2015

Postcards

Os Postcards conheceram-se à três anos, quando tentavam escapar de uma guerra civil e se cruzaram numa praia. Do momento atribulado, as músicas que deles surgiriam pouco tiveram a ver com aquele momento ou com as suas raízes. Viverem no Líbano foi apenas uma razão para sonhar com outros locais, a começar com uma casa no lago, que deu nome ao primeiro EP: Lakehouse.
A música declaradamente folk tem sido muito bem acolhida pela Europa fora e o quarteto já teve alguns momentos muito felizes, como abrir para a banda Beirut e subir por eles mesmo a palcos importantes. Quando surgiu a oportunidade de virem até Viseu, o Musiquim não pode desperdiçar.

Com uma enorme vontade, associámo-nos ao Museu Nacional Grão Vasco na organização do concerto. Lá teríamos o sítio ideal para a banda tocar e a parceria com a Visabeira garantia um tecto ao músicos para aquela noite. O resto seria suor nosso e de quem se dispusesse a ajudar. Um agradecimento especial à ACERT e ao Carlos Fernandes por disponibilizarem o material que nos faltava, à Ana Seia de Matos no apoio à organização, ao João Vaz Silva por ser louco, ou só boa pessoa, e permitir isto tudo.

A chegada da banda a Viseu fez-se com menos um elemento. Rany Bechara não conseguiu o seu visto a tempo de sair do país. No lugar dele veio o português André Galvão que acabou por fazer um excelente trabalho.

Já nos claustros do Museu a ameaça de chuva atrasou a intenções de fazer o som. Depois com a ameaça a efectivar-se em chuviscos tememos os pior. Correu-se à procura de plásticos. Aguardámos. Discutimos. Já não haveria tempo para jantar antes do concerto. Arriscámos continuar pelo exterior. Foi uma boa aposta.

A noite esteve agradável e todas as cadeiras ficaram ocupadas. O concerto ecoou durante uma hora naquele claustro e arrancou aplausos e ovações para Julia, Marwan e Pascal que ainda voltaram para uma última canção antes de esgotarem o repertório.

No final, o balanço não dia ter sido mais positivo. Marwan caminhava entusiasmado de um lado para o outro a arrumar parte do material até que me disse "Luís, this was the best concert we ever gave. Really. And he have played in amazing places, but this... this one was the best so far. Thank you". Julia, atrás dele, acenava em concordância. E nós cheios de orgulho.

No dia seguinte regressámos ao museu, já recuperados de uma noite longa. Era hora de regressar ao formato habitual do Musiquim e filmar algumas canções em acústico. Para isso, nenhum espaço era melhor do que aquele que já nos enchera de boas memórias: os claustros. Assim fizemos, primeiro com Where The Wild Ones, e depois com Walls.

Acompanhem o percurso dos Postcards na sua página oficial. Tenho a impressão que ainda ouviremos falar muito deles.

ou no Vimeo: Walls | Where The Wild Ones

29 setembro, 2015

Francisco Sales

Francisco, embora tenha crescido por perto (até completou a sua primeira formação musical em Viseu), tê-lo por estes lados é cada vez mais uma ocasião rara. Há quase três anos a viver em Inglaterra, tem construído carreira a tocar com os Incognito e Chaka Khan, o que por sua vez o levou a tocar em salas tão prestigiadas como a Blue Note em Tóquio e Ronnie Scott’s em Londres.

Por Portugal para matar saudades dos amigos, trouxe a música consigo e não desperdiçou a oportunidade de fazer uma digressão. A passagem por Viseu estendeu-se da sala de concertos até ao Carmo'81, um novo espaço cultural alternativo que embora se encontre fechado à segunda-feira, não hesitou em abrir portas para receber o guitarrista. Com uma boa disposição contagiante, Francisco Sales foi montado todo o material necessário - e ainda é algum! - para que pudesse tocar. Do nosso lado ajudámos com a montagem do PA, mas fomos sobretudo escutando com enquanto as várias histórias que o autor trazia consigo.

Foi com curiosidade que percebemos que os dois temas interpretados para o Musiquim não são de Valediction, o seu primeiro e bem sucedido álbum, mas sim novas obras que integrarão a sua próxima colectânea. E pelo que tivemos oportunidade de escutar e que agora partilhamos, Francisco Sales está a superar-se a sim mesmo. E quando assim é, só boas coisas podem acontecer.

Acompanhem mais de perto o trabalho do guitarrista no seu facebook oficial.


ou no Vimeo:Hungary