24 dezembro, 2014

a Jigsaw - 2.º Take

A amizade com os a Jigsaw começou ainda não havia Musiquim. Aliás, se hoje há Musiquim foi por eles terem sido os primeiros a responder afirmativamente à questão: "Querem vir tocar neste sítio estranho?". Cresceu depois a coragem de repetir a pergunta e hoje são mais de quarenta as bandas que se deixaram levar pelo desafio.

No entanto, com o João e o Jorri as coisas parecem ir sempre mais além. Em 2012, criaram uma música sobre o João Torto, figura do séc. XVI que saltou da torre da Sé com asas que o próprio construíra. Desta vez, aceitaram vir a Viseu participar nas celebrações d'O Dia Mais Curto, mostrando alguns videoclips, discutindo-os, e fechando a sessão, organizada nesta cidade pela Shortcutz Xpress Viseu (SXV), com um concerto. E assim aconteceu.

Como o evento era às quatro da tarde e a cidade, no último Domingo antes do Natal, se encheria de gente e actividades, achámos por bem descarregar os materiais para o concerto ainda antes de almoço. O Museu Grão Vasco acedeu ao desafio da organização e abriu as portas para nos receber. Quando chegámos, sem sono e com um dia que, não fosse o frio, mais parecia primavera, tínhamos à nossa espera uma sala despida de acessórios. Haviam as cadeiras empilhadas, alguns quadros, não fosse a sala de um museu, e nada mais. Descarregamos tudo em pouco tempo e fomos almoçar. O restaurante era uma delícia. Durante a refeição fomos tão generosamente servidos que parte da comida voltou connosco dentro de um tupperware. Já era hora de afinar os instrumentos.

De volta ao Museu Grão Vasco, as cadeiras tinham-se desempilhado graças ao SXV. Faltava tudo o resto. A Gira Sol Azul emprestou o monitor que daria amplificação à voz, embora fosse a peça mais pesada que ali estava, a sua montagem foi bastante simples. Os teclados, a auto-harpa, a melódica e os outros instrumentos encontraram o seu lugar rapidamente. Os a Jigsaw já tocam há muitos anos. Mais estranho foi reparar que, em mais do que uma ocasião, o João Rui se sentava a um canto da sala a tocar banjo. Imagino que o estivesse a afinar. Ou tocava para os fantasmas?

Entre preparar a sala e o início da sessão restava-nos meia hora. Seria pouco tempo para gravar algo, mas já trabalhámos com menos. Outro problema é que desta vez não queríamos o registo comum, afinal esta não seria a primeira vez da banda no Musiquim. Então optámos por fazer algo um pouco mais complexo. Chamá-mos-lhe 2.º Take, por ser a segunda vez que a banda está presente, por serem necessários pelo menos dois takes para a sua realização. Com isso em mente, subimos até uma das salas de exposição do Museu, no primeiro piso, e iniciámos as gravações. O tema escolhido foi "The Greatest Trick", do mais recente álbum "No True Magic". Os santos não tiveram vergonha e foram excelente modelos a enquadrar a melodia, mas nem os santos param o tempo e num instante a meia hora passou-se. Tínhamos descer para a sessão.

À nossa espera estava uma sala cheia. O frio não convencera ninguém a ficar em casa o que só tornou aquele espaço mais aconchegante. Três videoclips. Uma boa conversa. Um concerto ainda melhor. Quando terminou, já o orvalho caia lá fora. Todos saíram com um sorriso. Nós saímos com um sorriso no rosto e o material nas mãos. Despedimo-nos com um abraço e a promessa de nos voltarmos a ver, mas desse dia, para lá das memórias, fica este vídeo lá filmado.

Não custa lembrar, para conhecer mais do trabalho dos a Jigsaw, visitem a sua página oficial.


ou no Vimeo: The Greatest Trick

02 setembro, 2014

Lavoisier

Lavoisier é um projecto de Roberto e Patrícia que surgiu enquanto viviam em Berlim. As saudades de casa despertaram uma nova curiosidade sobre a música tradicional portuguesa. Depois, a vontade de a trabalhar veio naturalmente e dali por um pouco iam ocupado espaços pelo país partilhando a sua versão do que é cantar em português. Afinal, "nada se perde, tudo se transforma" - Lavoisier.
No entanto a música do dueto não se cinge a novas versões de cantigas populares, mas também a novas melodias para poemas nunca antes musicados. É o exemplo de "Viajar", um poema de Fernando Pessoa transformado canção e que tivemos oportunidade de registar.
O encontro com o casal foi muito simples para o Musiquim. Combinou-se que nos encontraríamos no dia seguinte ao concerto, pelo final da manhã - todos gostamos demasiado do nosso sono. Uns mais do que outros, não tivessem os músicos a dormir pela hora de chegada. Dez minutos. Nada que afectasse o resto da manhã.
Fomos acolhidos com sorrisos mútuos e só começámos a pensar em música uma meia de leite depois. Escolhemos ir até ao centro comercial Ecovil, era ali perto e o ambiente quase fantasmagórico da cave - construída de espaços para arrendar - pedia algo de bom. Aquando a chegada nem tudo era perfeito. O rádio tocava pelos corredores e não tínhamos propriamente licença para tocar ali. Felizmente esta é uma terra de gente boa e três telefonemas mais tarde conseguimos o aval dos donos e um rádio a menos. Dali para a frente a música seria outra e foi gravada para que não se esqueça.
Para saber mais sobre trabalho desta banda, visitem a sua página oficial: www.whoislavoisier.com.

ou no Vimeo: Maria Faia | Viajar

04 agosto, 2014

Golden Slumbers

Há algum tempo que o Musiquim não tem saído à rua, mas não lhe perdeu o gosto.
Com um verão intermitente é difícil prever o tempo, mas para sorte das irmãs o dia estava radiante. Céu azul e sol a brilhar. A brilhar. A brilhar tanto que para azar das irmãs o calor estava uns bons graus acima do confortável. Paciência, já tínhamos um sítio escolhido e não seria o súbito calor a desviar-nos da intenção.
Encontrámo-nos no parque da cidade, nós, um pouco atrasados, ainda saboreávamos o almoço sentados na relva, acompanhados por outros amigos que conhecemos nestas aventuras, enquanto as Golden Slumbers aproveitavam para tomar um café depois de uma longa viagem desde Lisboa. Estômagos saciados, mete-mo-nos a caminho: guitarra às costas, câmara na mão.
A vinda do duo a Viseu coincidiu com a 4.ª edição dos Jardins Efémeros, um festival que para lá da música preenche a cidade com exposições e instalações. Para nossa sorte, no largo que dá casa a um dos terminais do funicular, estava uma dessas peças, era ela o nosso sítio. Apelidava-se de Casulo e é uma criação do Atelier do Rossio, Cristina Baccari e Vanda Rodrigues. Sucintamente, é uma estrutura em metal revestida por 10 mil elementos de papel, esses criados com a intervenção de vários grupos institucionais do distrito de Viseu.
As irmãs Margarida e Catarina Falcão, não hesitaram em entrar, nem que fosse pela sombra, e ali se aconchegaram. Afinou-se a guitarra e as vozes. Por vezes o duo toca acompanhado por baixo e bateria, mas nesta visita a interpretação iria caber apenas às duas. Não pareceram de todo intimidadas. Montou-se o microfone. Estava tudo pronto para se ouvir algumas canções e até público havia, afinal alguns amigos mais atentos ouviram os planos e decidiram ir ao nosso encontro. Fizeram-no tão bem que até chegaram antes de nós.
Amigos à parte, dentro do Casulo o que se fez escutar foram as doces folk das irmãs Falcão. Essa história não se conta por palavras.
Entretanto, as Golden Slumbers, que já faziam parte da compilação dos Novos Talentos Fnac'14, lançaram o seu primeiro EP "I Found a Key", e podem ir ao seu encontro aqui.

ou no Vimeo: Gone with the Wind | Love