09 dezembro, 2013

Nome Comum

Sem tempo para descanso numa altura em que lançam o seu novo álbum, os "Nome Comum" não têm parado de percorrer Portugal.
No último fim-de-semana a banda visitou Viseu para um pequeno showcase, mas antes entrou em contacto com o Musiquim. A mensagem era simples: desafia-nos. Nós desafiámos. Com um frio de rachar fomos à procura de um local aconchegado que pudesse receber música vezes quatro. Encontrámos o sítio ideal na Confeitaria Amaral, que embora possa ser uma das mais pequenas em Viseu, é com certeza também uma das mais saborosas. O cheiro de bolos acabados de sair do forno iriam dificultar a tarefa aos músicos, mas a simpatia dos donos da casa convenceu-nos. Assim foi.
Escrevemos: "Rua Alexandre Lobo, na Confeitaria Amaral", para que viessem ao nosso encontro. Do outro lado, a Madalena, pianista, respondeu-nos: "Estamos a caminho". Meia hora depois e sem ninguém à vista percebemos que algo correra mal, o GPS enganou o quarteto e levou-os para fora da cidade. Corrigido o erro lá conseguimos finalmente encaixar a banda na confeitaria.
A surpresa com os prémios Guinness, um para "Maior Boroa Trambela do Mundo", outro para o "Maior Pão com Chouriço", espantou os músicos, mas não os distraiu. O tempo de montagem de todos os instrumentos foi estranhamente curto, considerando a sua quantidade e tamanho. Parece que já é uma rotina bem oleada. Nesses momentos deu ainda para ficar a conhecer um pouco mais dos "Nome Comum". Por exemplo, a semelhança entre os narizes da Madalena e do Bernardo não é pura coincidência, são irmãos. Não se estranha por isso que partilhem a mesma boa voz.
Sem perder tempo passámos aos temas. Primeiro "Alentejar", a região tornada verbo, e depois "Cuco", tema que dá nome ao álbum de estreia.
Numa sessão com vários espectadores-por-acaso, os "Nome Comum" acabaram por chamar a atenção de quem entrou para comprar doces e ficou para escutar uma música. "Muito bom, pá!". Ouviu-se no final da canção. Fizeram-se fãs e como se isso não bastasse para todos sairmos regozijados, a Confeitaria ainda ofereceu, a cada um de nós, uma pequena caixa recheada de doçuras. Vai ser impossível não voltar.
Deixando estes doces de parte e focando-nos na delícia que os temas da banda nos trazem, convidamo-vos a visitar a página oficial para descobrir tudo.

ou no Youtube: Alentejar | Cuco

01 dezembro, 2013

Giveaway Musiquim



Para celebrar o Natal que se aproxima, o Musiquim está a oferecer 15 álbuns de algumas das bandas que já passaram naquele projecto e não só. Grutera, a Jigsaw, Gobi Bear, Érica Buettner, Camané, Capitão Capitão, Minta & The Brook Trout, La Macchina Volante, Vitorino Voador, Mónica Ferraz, João Berhan, Tiger Picnic, Tape Junk e Flume, todos eles disponibilizaram um dos seus álbuns para que este Natal possa ser mais colorido.
E para se habilitarem a ganhar os passos são muito simples. Visitem a página do Musiquim, façam like, partilhem a imagem e deixem um comentário para podermos contar a participação. É tudo. Dia 24 de Dezembro iremos anunciar os 3 felizardos. Cada um levará 5 álbuns para casa!

O nosso obrigado às bandas por tornarem este momento possível.

Actualização 24/12:
Foram dados a conhecer os vencedores, podem ver quem aqui

26 novembro, 2013

Samuel Úria

Em Maio, Samuel Úria regressava a Viseu para dar um pequeno concerto. O cantautor que cresceu bem perto desta terra esteve alguns anos sem por aqui dar concertos, então, quando esta oportunidade surgiu, não hesitámos em contactá-lo. Queríamos um rapto consentido. Queríamos e tentámos, mas Úria não é homem muito dado ao telemóvel. Só descobrimos depois. Pois, eu às vezes chego a ter 100 chamadas não atendidas, a minha mulher também não gosta nada (que não atenda). - disse-nos quando conseguimos conversar um pouco com ele, depois desse concerto.
Embora o encontro de Maio não tenha resultado em vídeos, não saímos de mãos a abanar. O músico gostou muito da ideia de gravar algo para o Musiquim e ficou a promessa de que da próxima vez que regressasse a esta terra faríamos isso. E assim foi.
Bem mais cedo do que esperávamos, Samuel Úria regressava à mesma casa para outro pequeno concerto, era Novembro. Desta vez não optámos pelo contacto através do telemóvel, mas sim através da sua agência, a Vachier & Associados, que muito prestável tem sido connosco. Sem qualquer percalço deixámos que chegasse o dia. O raio do dia é que coincidiu com o primeiro jogo do play-off Portugal-Suécia e se a boa notícia é que terminou com uma vitória da equipa das quinas, a má é que o concerto não se escapou a um atraso de uma hora.
Quando finalmente chegou o cantautor, houve sorrisos. Com muitos amigos na plateia, a música não tardou a inundar o espaço e tão rapidamente quanto começou, terminou. Ou assim pareceu, a boa disposição do músico e a conversa com o público fizeram tudo parecer um pequeno e delicioso instante.
Estava na hora do Musiquim. Dispensado qualquer conforto ao estômago após o concerto, arrumaram-se os instrumentos e carregados, lá fomos os três. Sim, além do músico e do Musiquim fazia-nos companhia a Catarina, a road-manager que naquele dia acompanhava o Samuel. De instrumentos na mão seguimos em direcção ao cais de descarga, onde estava o carro. Entrámos no elevador. Carregamos no botão: "-3", três andares abaixo do zero, onde estávamos. Lá fomos. Primeiro para o 2. Depois para o 3. Depois novamente para o 0 e só depois, quando já suspeitávamos da sanidade do elevador, chegámos ao nosso destino, o -3. Carregou-se o carro e não se foi muito mais longe.
Mesmo à boca do cais de descarga encontrámos um pequeno recanto, resguardado do vento e que aquela hora nos pareceu romântico. O centro comercial tinha acabado de fechar e sabíamos que seria muito difícil escapar ao frio. Então porque não ali?
Para Samuel tudo parecia estar bem. A boa disposição era contagiante e em dois minutos estávamos prontos a gravar. Começamos com "Para Ninguém" e seguiu-se "Algo".

Para estarem a par de concertos e novidades, dêem um pulo à página do cantautor.

ou no Youtube: Para Ninguém | Algo

02 novembro, 2013

Tranglomango

O dia apresentou-se chuvoso, mas as acção não acontecia na rua. Viseu, no Sábado de 2 de Novembro, recebeu a segunda edição do TEDxViseu, na Pousada de Viseu, e o Musiquim foi um dos convidados.
Embora até gostemos de falar, decidimos deixar a função de speaker para os verdadeiros pensadores e, ao invés, invadimos o coffee-break da manhã com aquilo de que mais gostamos: música.
Os nossos parceiros no "crime" foram os Tranglomango. Esta banda viseense tem dado nas vistas pela sua abordagem moderna às cantigas tradicionais, no entanto não se limita a vestir de novos sons as cantigas de outrora e avança para algumas criações originais. Será com uma mistura das duas que, brevemente, se estrearão em disco.
Voltando ao dia. Ainda uma hora faltava para a intervenção e já alguns elementos da banda começavam a chegar. Ricardo, o acordeonista, foi o mais pontual. Também se revelou o mais acertado na hora de se recordarem dos acordes, afinal sempre houve tempo para um pequeno ensaio. A troca de palavras, sempre controlando o tom para não incomodar a sala ao lado, foi muitíssimo divertida. Este é um grupo cheio de energia positiva e a isso também ajudam as pequenas. A Jasmim e a Olívia são filhas da contra-baixista Ana Bento e uma alegria de ter por perto. Rapidamente passou a hora. Os instrumentos estavam afinados. É hora de deixar a sala de ensaio.
Se é verdade que nada foi feito às escondidas, também é a verdade que muito pouco foi anunciado com antecedência. Assim, a surpresa na sala foi geral. Sentados na plateia e com "Cantiga Bailada" a banda tornou aquele momento de amena conversa único para que os escutou.

Podem seguir todas as novidades sobre a banda na sua página de facebook.

ou no Youtube: Cantiga Bailada

06 outubro, 2013

TAPE JUNk

"Era Setembro de verão, o dia em que o cantautor chegou à cidade. Fazia-se acompanhar pela namorada e por João Vaz Silva, road-manager e amigo de longa data do Musiquim. Aliás, este encontro não foi estranho a coincidências. Como mais tarde viemos a descobrir, João Correia visitara Viseu por último com a Márcia, precisamente no dia em que a filmámos.
Acasos à parte, podemos finalmente conhecer o João, sempre muito bem disposto e descontraído, e logo com o seu mais recente projecto: TAPE JUNk.
Também aqui faltaram pessoas. TAPE JUNk apresenta-se normalmente a oito mãos. Quatro rapazes, mas os restantes três não estiveram em Viseu. Restou-nos a companhia do cantautor. E foi mais do que suficiente.
Encontrámo-nos no meio da cidade com um destino em mente, o Parque Aquilino Ribeiro. Fomos alertados que para esta gravação devíamos ser arrojados. Então pensámos ir até ao lago daquele parque. Com o calor que estava um pouco de água não saberia senão bem. Ao ver o lago todos estávamos de acordo, mas o lodo e o mau jeito de João Correia que está sempre a tropeçar, "Sou muito desajeitado!", fez com que optássemos por não molhar os pés. Não voluntariamente, pelo menos. Ficámo-nos pelo equilibrismo de tocar e filmar na pequena carreira de rochas que atravessam o lago. Foi assim paras as duas canções "The Good & The Mean" e "Buzz".

Podem descobrir mais sobre a banda na sua página oficial.

ou no Youtube: The Good and The Mean | Buzz

27 setembro, 2013

Filho da Mãe

Depois de uma passagem por Viseu em Junho, durante os "Jardins Efémeros", onde o Filho da Mãe conquistou Viseu inteiro, o Musiquim já não o tirou debaixo de olho. A energia em palco, a melodia rica e preenchida cativou o Largo São Teotónio que se encheu para o ouvir e deste lado só esperávamos por uma nova oportunidade de o encontrar por terras de Viriato. Para nosso espanto esse momento chegou bem mais cedo o que antecipávamos.
O motivo foi a Feira de S. Mateus, que com um programação variada, deu espaço a este projecto. Ora, com a ajuda da Cadeira Amarela, conseguimos chegar até Rui Carvalho, o guitarrista filho da mãe. Dois dedos de conversa e a simpatia do compositor saltaram à vista. Rapidamente não só se disponibilizou a participar como alterou os seus horários para o tornar possível.
Cumpridor, o Musiquim foi ao seu encontro. Depois de quatro horas de viagem - autocarro desde Lisboa - a sede fez com que parássemos numa esplanada, à sombra. Conversou-se um pouco do que faríamos, das impressões positivas de Viseu e de outros sítios que deixaram marcas semelhantes.
Refrescados, caminhamos até à rua Direita. Nós de câmara de vídeo e tripé na mão, ele com a guitarra às costas. A rua em si já não é estranha às nossas surpresas, mas as Fazendas Nandita ainda não haviam conhecido o nosso arrojo. Lá dentro fomos recebidos pela Dona Maria, sempre atrás do balcão. Estava à conversa com um amigo, mas não te problemas em ceder um pouco do seu tempo para escutar o Filho da Mãe. Os preparos foram rápidos. A guitarra saltou do saco em segundos e as afinações nos ouvidos de quem percebe atingem velocidades supersónicas. "Não Te Mexas", foi o tema do álbum Palácio que Rui Carvalho interpretou. Os dois ouvintes ficaram impressionados com a música que saia daquela guitarra. Houve também que parasse junto à porta para escutar mais de perto, mas tão rápido quanto começou o tema acabou e demos por nós de regresso ao carro.
Como ainda tínhamos alguns minutos, escolhemos refugiar-nos na fonte da Santa Cristina para um segundo tema. Chama-se "Mali Provisório", mas só recebeu título há uns minutos atrás, precisamente por este ser o primeiro registo da música e só agora existir a necessidade de dar nome à composição. Está dado. E tudo pode ser visto em vídeo.

O projecto de Rui Carvalho conta apenas com um álbum editado "Palácio", mas a sua qualidade é inegável. Actualmente esgotado, está na calha a edição de um segundo disco para breve, descobre mais na página oficial do Filho da Mãe.

ou no Youtube: Não Te Mexas | Mali Provisório

17 setembro, 2013

Mónica Ferraz

Depois do projecto Mesa, o sucesso que Mónica Ferraz tem alcançado a solo tornaram-na uma das vozes mais ouvidas este verão. O Musiquim não se deixou intimidar e arriscou um convite, do outro lado foi muito bem recebido pela agência que cuida dos contactos. Alinharam-se detalhes, planeou-se um local e uma hora, mas bem ao jeito do improviso já habitual por esta casa, saiu-nos todo do avesso.
A gravação acabaria por acontecer à noite, depois do concerto na Feira de São Mateus. Era já uma da manhã quando atravessámos os portões para sair. O parque de diversões já havia fechado e o movimento nas ruas era escasso, mas no grupo a energia era enorme. Mal saímos bastou olhar para a nossa esquerda para que uma ponte sobre o rio Pavia, iluminada, chamasse a nossa atenção. Mudámos imediatamente de ideias: era ali que gravaríamos. Tanto melhor, até ficava mais perto.
Entre conversas dispersas, cantorias e lenga-lengas fomos até ao local. Lá, não tardou para que vários elementos da banda começassem a explorar as possibilidades sonoras da ponte, mas a música que fariam era outra. Prepararam-se instrumentos, afinaram-se cordas e vozes. Afinal apesar de tocarem aquelas músicas há mais de três anos, seria a primeira vez que o fariam em acústico. Era uma estreia e nós orgulhosos.
"I can see that look in your eyes..." escutou-se. Era o início de "Golden Days" e o início daquele belíssimo momento que continuou com o tema "Go Go Go". No fim houve aplausos. Num banco ali próximo, um casal fã da artista espreitava a performance deliciado.
Era tarde, o cansaço ditou que a banda voltasse para o hotel, mas só depois de assinar alguns autógrafos, para o Musiquim, mas também para quem ao passar os reconhecia.
Para saber mais sobre próximos concertos ou para conhecer o trabalho da Mónica Ferraz mais a fundo, pode fazê-lo na página oficial da cantora.

ou no Youtube: Golden Days | Go Go Go

21 agosto, 2013

Grutera

Depois de uma longa viagem por um calor infernal até ao interior de Portugal, quando Guilherme chegou tinha um ar cansado. Do lado de fora, nós transpirávamos a potes. Estavam 40ºC. Nestas circunstâncias fica difícil descrever o bem que soube entrar na Igreja da Misericórdia e no seu Tesouro. A amabilidade de todos, a oferta do copo de água, o ar fresco, soube tudo tão, tão bem.
Guilherme, ou Grutera, como chama ao seu projecto, trocou de roupa para algo mais formal e subiu as escadas, atravessámos pelas obras de arte para ir de encontro da balaustrada da igreja. Aquele espaço com vista privilegiada para o púlpito faz agora parte do percurso do Museu e mesmo ao centro está um enorme sino que costumava tocar na torre. Agora é uma das peças em exibição e o som que faz, sempre que alguém passa, é apenas uma gravação electrónica. Foi desligada para o propósito das gravações, claro está. As luzes, essas, todas foram acesas.
Grutera é um rapaz de poucas palavras, facto sublinhado por estarmos num espaço de culto, onde o silêncio é ouro. Felizmente, a sua guitarra não se intimidou e assim que as cordas se afinaram a canção foi emotiva. O guitarrista levou-nos primeiro por uma canção do seu trabalho ainda por publicar "Não quis desconhecer-te", e a breve viagem terminou com "Capicua Moral". Para descobrir mais sobre o trabalho de Grutera, uma visita à sua página oficial é sempre recomendada.

15 agosto, 2013

Cardo-Roxo

Chegou Agosto. Com Agosto chega também a Feira de S. Mateus e a aposta em palcos alternativos tem-se mostrado muito produtiva para o Musiquim, que vai à caça das bandas. Com a ajuda da Cadeira Amarela, conseguimos chegar até aos Cardo-Roxo, um projecto de Antony Fernandes e Carmina Repas, que viriam até Viseu do Porto.
A tarde era quente, mas isso já não merece destaque. O destaque fica antes na chegada do casal, carregado de instrumentos, a sorrir, e uma barriga. Mais nomeadamente a da Carmina, grávida de oito meses. Como confessaram mais tarde este é o último concerto de uma temporada. "Nos próximos tempos a música vai ser outra!".
Os instrumentos iam saindo das malas. Um, e outro. E nós sem conseguir dizer o nome de qualquer um deles, decidimos assumir a nossa ignorância e pedir para que escrevessem com o que tocam. Na letra da Carmina lê-se: "Viola da gamba, säckpipa, viola campaniça, flauta de harmónicos".
Entretanto, no Saguão - uma galeria experimental no centro da cidade - ajustavam-se cadeiras, emprestadas do restaurante ao lado. É o João Dias, artista, que nos recebe e acomoda no seu atelier. As paredes repletas de telas, umas terminadas, outras em processo, são dele.
Enche-se a gaita de foles e ecoam as primeiras notas. Os Cardo-Roxo precisam de algum tempo para afinar os seus instrumentos temperamentais. Especialmente quando a temperatura aperta, mas o resultado que se seguiu compensou quando minuto.
O resto conta-se por vídeo, com três temas lindíssimos que ainda não têm uma morada física. Um CD pode esperar-se para breve. O que não se vê é o artista, João, que estava no saguão sentado, a desenhar os músicos. Pedimos-lhe o resultado do esboço.
Mais do trabalho dos Cardo-Roxo na sua página oficial.

04 julho, 2013

João Berhan

Há ocasiões em que o Musiquim não contacta os músicos, mas são estes que vêm ao nosso encontro. Foi assim com João Berhan. O cantautor de Lisboa manifestou o seu gosto em fazer parte deste projecto, mas sem forma de o podermos trazer, foi preciso alguma paciência e contactos para que tudo se concretizasse. Felizmente surgiu um encontro, muito por culpa da Maria Xica - restaurante e bar - que acabou por acolher um espectáculo do músico. Viseu esteve quente naquela tarde. João veio acompanhado da sua namorada, a Maria. Recompostos das maleitas de uma longa viagem, fomos todos até ao parque do Fontelo. A ideia inicial passava por escolher um bonito jardim, que nos resguardasse do vento, mas meio caminho andado e foram os campos de ténis que nos despertaram a atenção e curiosidade. "E porque não ali?", perguntou. E porque não mesmo? Lançou-se a pergunta para os jogadores dentro do campo, na altura meros desconhecidos. Do lado de lá veio um aceno positivo, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mais tarde viríamos a descobrir o nome do tenista: Paulo Inácio. Entrámos. Berhan estava descontraído. A boa disposição misturada com alguma timidez pareciam aliás ser traços que se misturavam durante aquela tarde. Tocou-se. Primeiro um, depois outro tema. Dois temas e poderíamos dar as coisas por encerradas, mas pelo sim pelo não, um outro take não faz mal a ninguém. Decidimos sair do campo. Agradecemos. Fomos então em direcção ao um tal bonito jardim ali perto. E para tocar? Um banco, junto a uma árvore? Até que alguém sussurra: "E porquê não na fonte?". E porque não mesmo? Arregaçaram-se as calças e meio minuto depois João estava dentro da fonte. O aluno que completou direito para pouco depois perceber que o que gostava mesmo era de música, terminou a tarde a cantar "Batata Frita" numa fonte com uma anormal quantidade de pão esmiuçado para peixe nenhum. Para conhecerem um pouco mais da música deste aventureiro, recomendamos um passeio pelo seu primeiro e único álbum até ao momento "Toda a gente a fugir para a frente", disponível na sua casa.

20 maio, 2013

Coelho Radioactivo

A visita do Coelho Radiactivo a Viseu planeou-se com larga antecedência. Ter amigos na Murmürio também ajuda a que esses planos incluíssem, quase de imediato, o Musiquim. Não se julge que por haver uma agenda, também aquilo que pretendemos fazer é certo, bem pelo contrário. Ora note-se, o João Sousa deveria chegar ao cais às 15h10, mas afinal perdeu o autocarro em Aveiro. O showcase da tarde adiantou de hora, outras compromissos surgiram entretanto, enfim!
Interessante foi chegar ao parque Aquilino Ribeiro e mal passámos o portão o João diz: "Ali é que era bom gravar!". Fê-lo num tom juncoso como quem tem vergonha da verdade. É que gravar no meio de uma mão-cheia de crianças podia criar algum desconforto aos pais. Nunca se sabe. Então, conformados, acabámos por filmar um tema no meio do parque, junto a um riacho que trazia a natureza para dentro da música. Foi bonito, mas o som das crianças ao fundo continuava a ecoar nas nossas cabeças. Respirámos fundo e ganhámos coragem! "Vamos lá e se alguém se chatear saímos".
Ninguém se chateou. Aliás, dada a oportunidade, esta cidade raramente desilude. Os comentários que se ouviram foram ora de apreço, ora apreensão, mas sempre simpáticos. Já as crianças, irrequietas, não só não as incomodou a presença da câmara e do músico como foi antes uma espécie de íman que as atraiu para junto de nós e as acalmou. Penduradas na teia, cada vez mais e mais, chegou a tal ponto que naquele enquadramento eram mais as crianças que as árvores.
De sorriso rasgado e sentimento de missão cumprida, saímos do parque que voltou ao seu ritmo normal. Mais tarde o João confessou que na sua terra-natal, Aveiro, não é assim. Os parques por lá são quase desertos e escassam a vida daquele.
Coelho Radioactivo é um projecto que João desenvolve desde há 7 anos para cá. Depois de 3 Ep's, em 2012 editou finalmente o seu primeiro álbum de originais. Chamou-lhe Estendal. Pode descobrir mais sobre o aveirense na sua página de bandcamp.

ou no Youtube: Perséfone | Todo esse pó

16 maio, 2013

Meu Melro

Chama-se "Meu Melro", o projecto que o Hugo Correia trouxe até Viseu no passado 27 de Abril. As previsões para o dia eram de sol e o plano inicial estava traçado: ir com o músico até ao parque Aquilino Ribeiro e lá gravar dois temas. Pouco tempo antes do encontro - que o cantautor conseguiu encaixar no meio de dois concertos - recebemos uma mensagem, dizia: "O Hugo está com umas alergias chatas, temo que ir para o parque seja estar a metermo-nos na boca do lobo". Era Pedro quem escrevia, o manager e companhia de viagem nesta incursão por terras de Viriato. Felizmente o improviso não é casa estranha para o Musiquim e rapidamente redireccionamos o músico. Encontrar-nos-iamos no centro histórico, mesmo junto a Sé. Assim foi, pontualíssimo. Dali, a primeira escolha foi fugir ao vento forte, que complicaria qualquer gravação e acabámos por descobrir o sítio ideal para um melro. Nas costas da catedral, erguem-se alguns penedos metros acima da estrada. Feito.
"Meu Melro" não é de grandes caprichos, subiu as pedras e acomodou-se. Deixou que gravássemos dois temas e ainda convidou um estranho que por ali passava para fazer coro num terceiro tema, infelizmente a colaboração não foi das mais afinadas.
O nosso registo terminou demasiado fugazmente. As pessoas que vieram às janelas escutar o que se passava recolheram e também nós fomos embora. O convívio não terminou ali, conversámos mais um pouco onde ficamos a saber que o cantautor foi pai recentemente, vimos até fotografias no telemóvel da criança. Discutiu-se o estado dos professores em Portugal, especialmente dos professores de Educação Visual, e voltou a falar-se de música.
Convidamo-vos a conhecer mais sobre "Meu Melro" na sua página oficial, onde podem escutar o seu primeiro álbum "Vai pousar como quiseres", editado em 2012.

ou no Youtube: Os Dois Sujos | O Gato

21 abril, 2013

Pequenas janelas para o passado

Tudo começou há mais de um ano atrás quando o Musiquim entrou em contacto com o Paulo Pinto Silva, Professor de Marketing e Publicidade na Escola Superior de Educação de Viseu. Na altura procurávamos novas formas de promover o projecto e falar com quem ensina o assunto pareceu-nos um passo natural. Dessa conversa saímos com uma bela surpresa. Ficaram prometidos os esforços para que o Musiquim fizesse parte do plano curricular do terceiro ano de Publicidade e Relações Públicas daquela Escola. Prometido e cumprido.
Meses depois, o Musiquim era oficialmente o primeiro "cliente" exterior a criar uma parceria com a Escola e a integrar-se naquele curso. Era a oportunidade ideal para os alunos tirarem o pulso ao mercado real, trabalhando com objectivos e consequências concretas.
O desafio, durante um semestre, foi desenvolver uma estratégia de comunicação que ajudasse a promover e divulgar todo o trabalho que tem vindo a ser feito com as mais de 30 bandas que reunimos. Os resultados foram variados e os melhores seriam aplicados por nós. Esta é a primeira dessas concretizações.

Uma ideia original de Sofia Correia, Paula Morgado e Vanya Silva, os QR Codes podem ser verdadeiras janelas para o passado. Tal como códigos de barras, mas acessíveis a todos os que tiverem um telemóvel com aplicação para os ler, estes códigos dão acesso imediato aos conteúdos que pretendemos. A ideia destas alunas foi colocar um código único em cada sítio em que o Musiquim fez uma intervenção. Imagine-se. Quem passar pela Chapelaria Confiança e ficar curioso pelo código que está na montra, irá ver o pequeníssimo concerto que Vitorino Voador ali deu.

Em quase tantas localizações como as bandas cá participaram, Viseu tem agora um pequeno portal para o seu passado musical nas ruas. Por isso, se virem este código de barras, deixem-se conquistar pela curiosidade.

08 março, 2013

Erica Buettner

A cantautora chegou à cidade particularmente cedo - ainda a tempo do almoço. A noite anterior fora fria, e o sol que fez pela manhã, precipitou a viagem. Almoçou, acompanhada por João Vaz Silva, naquele dia no papel de road manager. Pouco depois o Musiquim iria ao seu encontro.
Com tempo de sobra, optámos por passear um pouco pela cidade antes de qualquer gravação. Foi nesse primeiro contacto que ficámos a saber que a afinidade de Erica Buettner com Portugal já não é curta. Faz dois anos que a americana se mudou para cá, apaixonada, e desde então divide os seus concertos por vários pontos da europa. No entanto, Viseu ainda lhe era desconhecido. "It's very beautiful" - ia repetindo, enquanto passeávamos pelo centro histórico... "I had no idea".
O avançar da tarde foi trazendo algumas nuvens negras. Decidimos então ir até ao Museu Grão Vasco. Seria ali que gravaríamos. O Museu, o segundo mais visitado do país em 2012, aceitara cedo nessa semana a proposta do Musiquim e sugeriu até um local onde a Erica poderia interpretar as suas canções: junto ao quadro "Camões e as Tágides", de Columbano Bordalo Pinheiro. A obra de arte, de 1894, foi adquirida pelo primeiro director daquele Museu, Almeida Moreira, a custo de grande esforço pessoal. Afinal, é uma daquelas peças que crescemos a ver nos manuais de História. A sua grandeza impõe-se não só pela história e virtuosismo artístico, mas também pelas suas dimensões. Era o local perfeito. Ali Erica podia ser mais um elemento daquela pintura, talvez outra tágide inspiradora.
No local, os preparativos foram curtos. Um banco, tirar o banjo e a guitarra dos respectivos sacos, desfazermo-nos dos pesados casacos e alguns retoques na maquilhagem. Todos a postos.
A música ia começar e assim foi: Under the Radar fez estremecer todos os presentes, a voz de Erica vibrava pelas salas de forma tão doce quanto arrepiante. Visitantes e parte da equipa do Museu pararam para escutar, atrás das câmaras. "Ela deve ser muito conhecida, não é? Canta mesmo bem", alguém comentava.
Pelo fim do primeiro tema já a cantautora tinha conquistado novos fãs. O segundo tocou-se à guitarra. No Land's Man é música capaz de inspirar qualquer artista daquela e de outras casas. Faltaram apenas os aplausos, que a casa era tímida.
Terminada a intervenção para o Musiquim, aproveitámos o resto do tempo para uma visita ao Museu, que bem merece ser visto, e houve ainda tempo para comer uns viriatos deliciosos – bendito doce típico viseense.
Aos curiosos, podem escutar “True Love and Water”, o primeiro e único álbum até ao momento de Erica Buettner, na sua página oficial.

ou no Youtube: Under the Radar | No Land's Man

26 fevereiro, 2013

The Wooden Wolf

Alex Keiling escolheu dedicar-se por completo à música depois de um acidente em que lesionou severamente o seu ombro e o impediu de praticar montanhismo, o seu primeiro amor. Contou, numa voz rouca e característica que esses foram tempos de dificuldades, "What I'm going to do now? This was my life". Felizmente para todos, encontrou a resposta na música. Cantautor de uma sensibilidade incomum, desde há três anos para cá editou o seu primeiro álbum "14 Ballads Op.1" e viajou por vários países da Europa apresentando o seu trabalho.
Em Fevereiro de 2013, teve a oportunidade de fazer uma pequena digressão por Portugal e foi aí que o Musiquim lhe conseguiu deitar as mãos. Vindo de um concerto em Vale de Cambra na noite anterior com outro agendado em Viseu, Alex Keiling chegou ao centro da cidade já ao anoitecer e ensonado. A viagem fê-la a dormir, e o cansaço era constante presente. Nada que impedisse a disponibilidade e boa disposição do músico. Ali perto, teríamos abrigo para esta pequena sessão: o espaço partilhado da Muuda e Rústica Interiores. A casa, com quase 200 anos, abrigou na sua origem um chapeleiro, a decoração déco e alguns vitrais denunciam a passagem de uma sapataria e actualmente é lugar de peças de design português e decoração de interiores.
No interior, a chaise-longue vermelha pareceu ao cantautor o local ideal para pousar a guitarra e interpretar Neon Sign.
Podem escutar mais da obra de The Wooden Wolf na sua página oficial.

ou no Youtube: Neon Sign

15 fevereiro, 2013

Tiger Picnic

O Musiquim quis começar o ano de forma original. Com tudo o que já fez, essa premissa não era um desafio fácil, isto é, até os Tiger Picnic entrarem na figura.
O dueto composto por Beatriz Rodrigues e Ricardo Ramos, ambos com raízes muito fortes em Viseu, é, sem sombra de dúvida, o grupo que mais frenesim podia trazer a este início de ano. Não se designassem, afinal, como catano blues.
Além de bateria e guitarra eléctrica (instrumentos que ambos dominam e que durante os concertos trocam frequentemente), nem Beatriz nem Ricardo abdicaram da electricidade para ampliar guitarra e voz. O que poderia, então, tornar essa participação ainda mais caricata? O local certo. E o local certo surgiu numa conversa de café: um dentista.
Era manhã e a Clínica Dentária João Pedro Assunção via um carro parar à porta. Apesar do inverno, o tempo era de sol e descarregar pratos, bombos e guitarras não foi uma tarefa difícil. O olhar do doutor - que tão prontamente cedeu o seu consultório para esta pequena aventura - revelava uma pontinha de hesitação, mas o sorriso era acolhedor e não tardou para que aquele espaço virasse palco. Afinal os Tiger Picnic não se ficaram por meias medidas.
Estaminé montado e começou música: "Black Cousteau" colado a "Mexico". O chão vibrou e a força que o dueto trouxe àquele pequeno espaço, mais habituado ao guinchar das brocas, explica o seu sucesso pelo país e justifica em pleno o porquê da banda estar a figurar em cada vez mais e mais festivais.
Findo o primeiro tema, era tempo para "John Law, Detective", interpretado por Ricardo ao microfone, começar. Mas, "querem uma bata verde de cirurgia?" - disse o doutor. "Sim, o Ricardo quer", responde imediatamente Beatriz. Assim foi, "John Law, Detective" já só tomou forma quando os seus donos estavam perfeitamente equipados.
Podem conhecer um pouco mais da irreverência dos Tiger Picnic na sua página oficial, onde podem escutar e adquirir os dois álbuns já editados.

05 dezembro, 2012

Minta & The Brook Trout

Minta & The Brook Trout chegou a Viseu na sua versão mais compacta com a Francisca Cortesão e a Mariana Ricardo. A viagem de Vila Real até Viseu trazia a esperança de um tempo mais quente do que o porto de partida, para azar da banda, Viseu é também ele gelado e o nariz da Francisca teria de continuar a pingar. Como se não fosse suficiente, o ukulele teve uma queda inesperada durante a viagem o que lhe quebrou a caixa.
Ora, Minta & The Brook Trout, reduzida a dois elementos, constipada e de ukulele partido, foi até uma loja de ferragens para interpretar dois temas. A temperatura do espaço não mudava daquela no exterior. Os casacos ficaram vestidos, mas a simpatia do dono deu para aquecer um pouco mais o peito.
A Francisca e a Mariana esfregaram as mãos e aconchegaram-se atrás do balcão, afinaram as guitarras, e sem demora a música ecoava pelo espaço e durante aqueles breves minutos mais parecia primavera.
Minta & The Brook Trout lançaram recentemente o seu segundo álbum de originais, podem conhecer mais sobre a banda na sua página oficial.

ou no Youtube: The Right Boulevards | Family

23 outubro, 2012

Nicolau Pais & Os Originais

Viseu tem imenso talento, mas foram precisos quase dois anos e meio para que o Musiquim filmasse alguém da sua terra Natal.
A estreia fez-se com Nicolau Pais & Os Originais. O cantor partilha com Viseu uma afinidade enorme, e de todos os sítios em que poderia ter tocado, o local mais especial estava mesmo ali, no próprio Teatro Viriato, onde - ainda com dez anos - fez a sua estreia ao público, então como actor, carreira que seguiria durante vários anos até enveredar pela música.
Muito antes de qualquer registo, houve uma mão-cheia de preparações. Nicolau Pais não brinca em serviço e duas semanas antes já os contactos se faziam no sentido de escolher os melhores temas para as limitações do Musiquim. Interpretar temas em acústico, quando normalmente a electricidade é um bem necessário, pode ser sempre um desafio, mas um baixo mais adequado na bagagem e a habitual voz do cantor resolvem qualquer problema.
As gravações fizeram-se no dia do próprio concerto, logo ao início da tarde. Os Originais, banda que dá melodia a Nicolau Pais, foram chegando aos poucos ao soundcheck. Os rodopios do cantor ao telemóvel com orientações foram eficazes e não tardava a que o foyer do Teatro se inundasse de instrumentos. Felizmente para o Musiquim, as nossas gravações fazer-se-iam nos Camarotes, coisa de requinte para a música cuidada. E assim foi.
Os seis músicos apertaram-se nos dois camarotes e sem demoras escutaram-se: "O Presidente" e "Passo". As cadeiras da plateia estavam vazias, mas não faltou quem do Teatro viesse espreitar a boa disposição do músicos e o som que tão naturalmente dali fruía.
Para conhecer um pouco mais da banda, recomendamos uma visita à sua página oficial.

ou no Youtube: O Presidente | Passo


09 outubro, 2012

A Cinza

O frio chegou subitamente a Viseu. Os meteorologistas já tinham avisado, mas o seu crédito é baixo e acabou toda a gente surpreendida.
Eram onze da manhã quando a chuva ainda estalava sobre os telhados, depois de uma noite incansável. Já a noite d'A Cinza também foi longa, com um concerto a prolongar-se para lá das cinco da matina. São sempre boas notícias quando o público escolhe acolher assim um grupo, mas para azar do trio, tiveram de se levantar cedo para poderem participar no Musiquim.
O encontro combinou-se para o Museu do Falso, espaço de peças contemporâneas que simulam a história de Viseu em universos paralelos, mas para A Cinza, foi o refúgio perfeito à ameaça de chuva. O grupo de Lisboa aparecia com um ar cansado, mas as olheiras não eram suficientes para abalar o bom humor da banda. Uma pequena explicação do local, uma cadeira e uns pequenos ajustes e quase sem dar por isso, A Cinza estava pronta a partilhar as suas canções.
Assim o fez, "Maria da Perseguição" e "Se ao Cabo" são ambos temas inéditos. Aliás, A Cinza ainda não tem qualquer álbum ou EP editado, mas o seu trabalho tem amadurecido ao longo dos últimos meses, trocaram a guitarra eléctrica pela acústica e chegaram a Viseu na sua primeira tour nacional. No Museu, apaixonaram-se por Francisco. O que pensa o Francisco disso não sabemos.
Terminadas as músicas, estava na hora de comer qualquer coisa, que não houvera tempo para tomar o pequeno-almoço. Assim, o Musiquim acompanhou a banda a uma reconhecida pastelaria da cidade e lá se regozijaram. Raras são as vezes que os olhos de pessoas crescidas brilham daquela maneira. Os bolos fizeram por eles delícias, ao Musiquim, A Cinza deixa-nos com os seus temas, para fazer a delícia de quem nos acompanha. Conheçam um pouco mais sobre a banda através do seu bandcamp.

24 setembro, 2012

"3 Feet", de Gobi Bear

Gobi Bear abriu uma tarde que se previa intensa e não desfraldou expectativas. A 21 de Setembro, o cantautor trouxe na bagagem um tema inédito inspirado na Lenda de Gaya e o seu talento encheu a sala e os corações de quem estava. "3 Feet" é uma criação de poucos dias, mas pela destreza com que foi interpretada, podia ter anos em tours pelo mundo. Podem ver essa performance no vídeo abaixo.


ou no Youtube: 3 Feet

Quando questionado sobre o tema, Diogo Pinto respondeu assim:
"Era Verão e eu estava de férias quando o Luís Belo me pediu para escrever uma música que se relacionasse com a Lenda do Rei Ramiro II. Aceitei o desafio sem hesitar. Seria a primeira vez que iria compor sobre um tema que não escolhi e, ainda por cima, com um prazo tão curto. Li a história muito atentamente uma série de vezes, procurando um ponto muito específico da lenda no qual me pudesse debruçar. Então, fixei-me num momento especialmente obscuro: quando o Rei manda amarrar uma mó ao pescoço da Rainha e a atira ao mar. Vi os acontecimentos através dos olhos do Rei que, implacável, observa a sua dor e a vê a ser levada pela água. "Eu sou o Rei aqui!""

Este é já o 4º tema composto a convite do Musiquim e encontra-se disponível para download gratuito em: musiquim.bandcamp.com