23 setembro, 2012

"Aldora's Dream" de Birds Are Indie

Escutou-se pela primeira vez no dia 21 de Setembro, como prometido, a música dos Birds Are Indie feita a pensar no Musiquim, mas sobertudo, no Rei Ramiro e na lenda que ele e as suas histórias inspiraram. Chama-se "Aldora's Dream" e esta é a gravação desse momento, no espaço da Empório.


ou no Youtube: Aldora's Dream

Nas palavras dos músicos, ficamos com uma ideia de como surgiu o tema:
"Escrever uma música por "encomenda"… Era coisa que nunca tínhamos feito e, também por isso, achámos boa ideia aceitar o convite do Musiquim, a propósito do Ano Internacional Viseense. Sendo baseada numa lenda, achámos bem começar pela letra... A ideia partiu de imaginar o Rei Ramiro, muitos anos depois daquelas aventuras, a dormir e a ter um sonho. Nesse sonho aparece-lhe a já quase esquecida Aldora que, do fundo do mar, o começa a chamar, relembrando-o de tudo o que tinha acontecido… Depois deste sonho algo assombrado, o Rei Ramiro acorda desesperado, por perceber que o seu arrependimento já não terá qualquer consequência."

Recordamos que o tema está disponível para download gratuito aqui: musiquim.bandcamp.com

14 setembro, 2012

Nice Weather For Ducks

Os Nice Weather For Ducks são constituídos por cinco jovens elementos e todos eles chegaram a Viseu, vindos de Leiria, com o estômago a dar horas. Preocupados que a viagem demorasse mais do que previsto, abdicaram do almoço para poderem participar no Musiquim a horas.
A horas chegaram eles, naquilo que nos pareceu uma carrinha alugada cheia até ao tejadilho. Aliás, a panóplia de instrumentos da banda é tal que só para encontrarem aqueles que usariam no pequeno concerto estiveram quase dez minutos. Talvez alguma falta de ordem tenha contribuído, mas a verdade é que nos fizemos ao caminho a tempo e horas.
O destino era a Sapataria Paulo Domingos. O Musiquim tomou o gosto à Rua Direita, onde tem filmado recentemente, e a Sapataria é mais um daqueles locais que ali aparecem quase como por magia. Um espaço fora do seu tempo, coberto de sapatos até ao tecto, literalmente. Depois somos sempre recebidos com um sorriso e uma dose de simpatia invulgar. Note-se, quando o quinteto apareceu na Sapataria, fomos logo acolhidos com cadeiras e quaisquer outras comodidades possíveis. Já sobre as cadeiras, consta que uma delas tinha até cento e vinte anos.
Acomodados, os Nice Weather For Ducks preferiram experimentar as suas músicas antes de gravarmos, afinar o tempo e os instrumentos, mas mesmo em ensaio, o som estava de tal forma agradável que quando demos por isso, entrava uma senhora - devagar porque a idade não permitia mais - com uma moeda na mão (vinte cêntimos) e foi deixá-la no tambor da banda. Isto tornou os Nice Weather For Ducks na primeira banda do Musiquim a receber uma recompensa monetária por participarem!
Depois as músicas surgiram naturalmente: "Bollywood" e "Back To The Future".
Saiba mais sobre o quinteto na sua
página oficial.

ou no Youtube: Bollywood | Back To The Future



11 setembro, 2012

Birds Are Indie, Gobi Bear e Rei Ramiro II

Pelo segundo ano consecutivo, o Musiquim associa-se ao Ano Internacional Viseense, iniciativa da Projecto Património que realiza e promove várias actividades culturais por Viseu, e convidou duas bandas para criarem um tema para a Embaixada-Musical.
Birds Are Indie e Gobi Bear aceitaram o desafio de ilustrar com uma canção a Lenda de Gaya (sustentada em Rei Ramiro), o primeiro "Rei das Terras Portucalenses" e figura do brasão das cidades de Viseu e Gaia e que é, simultaneamente, a figura oficial do Ano Internacional Viseense'12.
Dia 21, as duas bandas vêm até Viseu para apresentar os seus temas.
Aldora's Dream, de Birds Are Indie e 3 Feet, de Gobi Bear, serão pela primeira vez escutados no espaço da Empório (Rua Silva Gaio, nº29), a partir das 17h. Para quem não poder estar presente, o lançamento online acontecerá mais tarde nesse mesmo dia.

07 setembro, 2012

David Pires

David Pires já estava familiarizado com a cidade de Viseu, mas desta vez a sua visita tinha um rótulo especial: era a primeira vez que traria o seu projecto a solo para fora de Lisboa. O cantautor lançou o seu primeiro EP recentemente. "Aventura do Mundo" pode ser adquirida na Editora Chifre, e esse trabalho já lhe valeu a integração na colectânea de Talentos Fnac de 2011.
Viseu já lhe era conhecido, mas para cá chegar - e numa economia de custos - David optou pelo autocarro. Foi na estação que o Musiquim foi ao seu encontro e de lá partimos em direcção à Rua Direita, depois de um muito merecido café para restituir energias.
Chegados à dita rua, dirigimo-nos à "Casa Eunice", um estabelecimento centenário gerido pelas 3 gerações da mesma família e que tem por negócio primário a venda de flores artificias. É-o de tal modo, que as flores cobrem todos os pedaços de parede, completando-se com pinturas de paisagem ou de caris religioso. Assim, recebidos pela simpatia da Casa, David Pires servido de uma cadeira e munido do combo mais pequeno do mundo - que afinal já não funciona a pilhas - interpretou alguns dos seus temas. Os vídeos contam o resto.

ou no Youtube: Ao Mar | Junho



31 agosto, 2012

The Gift

Para quem ainda não está familiarizado com as músicas dos The Gift, não é certamente português, não tem rádio, ou viveu na floresta nos últimos dez anos. A banda de Alcobaça é actualmente uma das bandas portuguesas mais reconhecidas dentro e fora do país, quem não acredita, basta espreitar a página oficial.
Os The Gift chegaram a Viseu vindos de um concerto em Penafiel no dia anterior. No dia seguinte iriam para Vigo (Espanha), mas por aquela altura era o soundcheck que se revelava complicado. Depois de quase duas horas alguns problemas ainda persistiam e a janela para participar no Musiquim encolhia a passos largos. O plano esboçado uma semana antes revelava-se agora praticamente impossível de concretizar: passava já das oito na noite, o concerto seria às dez e sem jantar e soundcheck terminado era exigia-se uma alternativa urgentemente.
Pensámos.
Que sítio, ali junto da Feira de S. Mateus, poderia receber os The Gift? Onde há luz e aconchego numa noite ventosa? Na Penélope, claro. A caravana que é casa do Teatro Mais Pequeno do Mundo estava ali no recinto da Feira, apenas a dois minutos do palco principal. A disponibilidade incrível de Graeme Pulleyn fez com que durante o jantar nos fizesse chegar a chave para a caravana e lá preparamos o espaço para receber a banda. Só havia um problema, faltavam menos de 20 minutos para o concerto começar e ainda se trocavam as roupas no backstage do palco principal.
Finalmente apareceu um Nuno decidido e, seguido pelo resto da banda, dois seguranças e um punhado de fãs, fomos todos em direcção à caravana, pelo meio ainda se arranjaram 10 segundos para comprar um bombo de brincar numa banca de pipocas que acabou por ser usado no tema.
O resto da história conta-se por imagens, a boa disposição de todos os membros da banda é contagiante e a disponibilidade em participar neste projecto quando o tempo é tão apertado revela uma amabilidade incomum. Para terminar, nada mais adequado que a dedicatória dos The Gift no nosso caderno: "Há momentos que valem pela espontaneidade. Há momentos que nos sabem a vida. Há momentos que faz sentido sermos a música que tocamos".

ou no Youtube: RGB

26 agosto, 2012

Vitorino Voador

Vitorino Voador é um projecto musical de João Gil. Então porque não João Voador? Vitorino vem de enganos antigos e Voador foi um empréstimo alheio, em suma, é um nome com história que, caindo fora do seu controlo, acaba por ter muito de si.
Vitorino Voador, escolhido para a colectânea de Novos Talentos Fnac'12, chegou a Viseu para tocar na Feira de São Mateus ainda sem qualquer EP ou LP editado. O músico que participa numa mão-cheia de outras bandas, como Diabo na Cruz, You Can't Win Charlie Brown e até Flume, está agora a dar os primeiros passos numa carreira a solo e a descobrir a sua voz.
Faltava ainda uma hora sobre a hora marcada e já João Gil chegava a Viseu, o Musiquim gosta de pensar que o músico estava ansioso por nos conhecer, mas a bem da verdade terá apenas errado nos cálculos do tempo de viagem, ainda assim, foi mais cedo que nos conheceu e mais tempo deu para passearmos por Viseu, caminhar por algumas ruas e descer em direcção à Rua Direita, onde iríamos encontrar a Chapelaria Confiança.
Aquela casa, quase centenária, conta com o Sr. Belchior atrás do balcão há mais de 30. Actualmente é a última Chapelaria no centro de Viseu, mas a simpatia do chapeleira muito terá ajudado a que resista a estes tempos difíceis. Ainda nem entrámos e já João Gil congeminava uma maneira de usar os chapéus para enriquecer a imagem. Depois de entrarmos e das primeiras apresentações, viu-se com um chapéu enfiado na cabeça e já esquecera tudo o resto. Importavam era as músicas e foram três temas inéditos de Vitorino Voador que se fizeram ouvir. O Sr. Belchior batia o pé ao ritmo da guitarra de João e o seu gosto na música terá foi sincero, como o demonstrou ao aparecer no concerto dessa noite, na Feira de S. Mateus. O cantautor, ao ver o chapeleiro do palco, comoveu-se e dedicou o concerto ao Senhor que o recebera essa tarde. O público aplaudiu.
Por agora, escute-se antes essa tarde, que se recheou de música, de uma falha tremenda no microfone só corrigida com a muita paciência de João Gil em repetir os três temas, e de passeios pela cidade. Mais sobre o trabalho de Vitorino Voador na sua página oficial.

ou no Youtube: Mensagem | Venha Ele



21 agosto, 2012

Capitão Capitão

Capitão Capitão começou com as composições e voz de J.P. Mendes, ou J. (Jota), como é mais conhecido. No entanto, aquando a sua vinda a Viseu o cantor fez-se acompanhar de um amigo de infância – consta que aos três anos praticamente trocavam as fraldas um ao outro – Bernardo M. Oliveira, que para além de providenciar transporte, tem outro papel bem mais relevante: o de baterista.
Foi com a presença dos dois músicos que o Musiquim pôde contar ao final de tarde. A eles juntou-se ainda Joana, que viria apresentar o seu projecto “Flume” nesse mesmo dia.
Despreocupados, Jota e Bernardo não se acanharam em empunhar as guitarras e caminhar, mesmo sem saber para onde os levávamos. A verdade é que pensando em Capitão, a maioria das associações começam e terminam em mar, como Viseu não o tem, levamos a banda para a segunda melhor opção: o Rio Pavia. O rio em si estava até perto do local de desembraque, mas o ruido da Feira fez-nos seguir margem acima e só paramos uns bons minutos depois, num local de sombra e, como descobriu o gémeo direto de Jota, cheio de urtigas.
As músicas escolheram-se para as duas guitarras, uma delas emprestada por Nuno Rodrigues - como o Musiquim agradece! - meros minutos antes do encontro com Capitão Capitão, respondendo à exigência de uma guitarra acústica com cordas de aço. Ora, lá se encontrou aquela: com muito anos de uso, alguns desenhos e um pedaço de alma. Coube ao Bernardo a destreza de contornar os defeitos e aproveitar as virtudes daquela “menina”.
Foi assim que se ouviu “Soldadinhos”, música do EP de estreia com título homónimo e também “A Faca”, tema inédito cuja gravação para o Musiquim é o primeiro registo áudio.
Mais sobre Capitão Capitão no seu bandcamp, com direito a download gratuíto do EP. Para quem quiser ver um pouco desse dia na Feira de S. Mateus dê uma espreitadela nesta gravação.
Obrigado à Feira de S. Mateus e à Fnac Viseu a sua ajuda para a realização deste vídeo.

ou no Youtube: Soldadinhos | A Faca



16 agosto, 2012

Flume

A história de Flume e de Capitão Capitão fundem-se um pouco no que toca à sua participação no Musiquim, não tivessem eles vindo no mesmo carro até Viseu. Ainda assim, os próximos parágrafos fazem-se como espécie de exercício criativo, dando enfoque sobre o lado da história que para aqui cabe.
Era final de tarde e só ali o dia se revelava solarengo, verdade é que na noite anterior a chuva caiu a potes e até à hora de almoço ninguém conseguiria adivinhar que tempo faria de tarde, se sol se chuva? E com a indecisão ficou por escolher um sítio para tocar.
Ainda que não parecesse cansada da viagem, Joana chegou a Viseu de Lisboa com uma gripe por curar. Os analgésicos deviam estar a fazer bem o seu trabalho, que por parte da cantautora houve apenas sorrisos e boa disposição. A indefinição do caminho não a pareceu preocupar, então divagámos para longe da Feira de S. Mateus (onde tocaria essa noite). Percorremos a Cava de Viriato, vimos uma cegonha gigante de papel junto ao rio Pavia, não interessou. Com a distância a crescer o som das festividades diminuía. Fomos rio acima, já os pássaros se faziam ouvir e a feira era apenas um burburinho de fundo. Foi aí que os Capitão Capitão encontraram o seu lugar de eleição, tocaram e Joana juntou-se-lhes num dueto.
Continuava a faltar a melodia de Flume, o projecto da cantautora tem o mesmo nome de um dos temas de Bon Iver, mas a sua origem surge de "flumen", palavra portuguesa querida de Camões e que significa "rio".
De novo próximos da Cava de Viriato, maior monumento da Península Ibérica, a Joana acedeu, com particular entusiasmo, subir a uma árvore para cantar "A Catraia", do seu primeiro EP e ainda "Irracionais". Foi naquela oliveira, com vista privilegiada sobre a cidade que se fez ouvir a sua voz. O resto da história conta-se por vídeo.
Mais sobre Flume no seu bandcamp, ou para quem quiser ver um pouco desse dia na Feira de S. Mateus existe um vídeo.
Obrigado à Feira de S. Mateus e à Fnac Viseu a sua ajuda para a realização deste vídeo.

ou no Youtube: A Catraia | Irracionais



24 junho, 2012

Álbum Musiquim #01 - João Torto


Tudo começou em 2011 com a associação ao Ano Internacional Viseense, e o seu desafio de criar uma Embaixada-Musical à volta da personalidade desse ano. João Torto era a figura escolhida: história-lenda, diz-se dele que saltou da torre da Sé com umas asas que ele mesmo construiu, em 1540, voando. Foi com essa introdução que o Musiquim convidou os A Jigsaw e Azevedo Silva para comporem um novo tema. Os resultados revelaram-se magníficos com "Torto" de Azevedo Silva e "Crooked John" de A Jigsaw.
Em 2012, e de novo com a associação e apoio do Ano Internacional Viseense e da Projecto Património/EMPÓRIO, o Musiquim teve a oportunidade de lançar um álbum com os dois temas. Completamente home-made, o disco conta com ilustrações de Luís Belo, a bolacha carimbada e a impressão a uma cor, surgem de contingências, mas resultam numa criação única e limitada.
Os lucros resultantes da venda dos álbuns (4€ uni.) serão distribuídos pelas bandas e restantes partes envolvidas. A todos os interessados, por favor contactem-nos através do bomdia@musiquim.com.

21 maio, 2012

Ronan/Ronan

Ronan/Ronan é um muito criativo homem-orquestra. Como se já não bastasse a panóplia de instrumentos que domina, a esses ainda junta uma divertida postura em palco, com uma interacção com o público que raramente se vê. Por exemplo, no showcase da Fnac de Viseu, o palco acabou com mais gente lá dentro a tocar instrumentos do que fora dele a assistir. Esse foi aliás o espectáculo que antecedeu a sua performance para o Musiquim, já no Lugar do Capitão que nos emprestou a varanda. Lá, indeciso entre o acordeão e o bandolim, acabou por escolher o tema "Lizette", agarrando no instrumento de cordas.
Ronan/Ronan depois do espectáculo à noite, continuaria a sua digressão por Portugal na mesma caravana que o trouxe. Acabaria por regressar a França, a sua terra-mãe, poucos dias depois. Para saber mais sobre o músico visitem a sua página.


ou no Youtube: Lizette 

13 fevereiro, 2012

Luke Leighfield

Depois de fazer uma tour pela Europa e visitar uma mão cheia de países mesmo fora dela (China, por exemplo), esta foi a primeira vez de Luke Leighfield em Portugal. O inglês, de 24 anos, conta já com três álbuns editados e o seu trabalho chegou ao Top 5 do UK Indie Singles Chart. No entanto todo o currículo de pouco lhe valeu por estas terras onde se passeou em alegre anonimato.
Primeiro um showcase a meio da tarde e depois sim, a viagem para o Musiquim a que Luke, sempre bem disposto e optimista, mostrou completamente disponibilidade: "Of course, awesome!".
Leighfield, no que nos toca, apresentou outro desafio: o seu instrumento de eleição é o piano - embora tenha tocado guitarra em duas bandas - e, na incapacidade de arranjar e mover um piano acústico, a nossa melhor opção foi ligar um teclado à corrente. Felizmente, com a ajuda de Pedro Seixas, companhia portuguesa de Luke nesta viagem, foi isso que fizemos. Claro que para o fazer ainda precisávamos de um local que nos desse acesso abrigo e ao mesmo tempo se inserisse no espírito das nossas gravações. É aqui que entra a Despensa da Praça, uma casa relativamente recente, que se dedica essencialmente à venda de produtos nacionais como um requinte e revivalismo como poucas o fazem.
Assim, bem no coração da cidade, a espreitar o rei D. Duarte pelo canto do olho, descarregou-se o teclado (mínimo de duas pessoas) até à Despensa onde ali ficou: em cima de um pipo. Pareceu-nos adequado.
As gravações começaram com poucos minutos de preparação, Nilton, o dono da casa, depois de todas as hospitalidades regressou para trás do balcão; Tom, o fantástico fotógrafo que acompanhou Luke nesta viagem escondeu-se do registo recolhendo-se num canto, enquanto Pedro Seixas se resignou ao exterior para se certificar que nenhum dos carros seria rebocado. Luke tocou. Primeiro "Garde Ta Foy" e depois "The One Thing".
A noite essa fez-se de outro concerto, desta vez na casa do Capitão, onde ainda houve tempo para trocar memórias e fazer alguns desenhos. No dia seguinte o cantautor e o seu amigo partiram de volta a Inglaterra.
Para conhecer mais acerca do trabalho de Luke Leighfield, nada melhor do que uma visita à sua página oficial:
lukeleighfield.com



ou no Youtube: Garde Ta Foy | The One Thing



05 fevereiro, 2012

Spookyman

A vaga de frio que atormentara a Europa chegava finalmente a Portugal. As previsões para a noite era de cinco graus negativos, mas havia alguém que não se deixava intimidar com o frio. Guilio Allegretti viajou de Itália até Portugal para que pudesse apresentar o seu trabalho e no primeiro espectáculo em Viseu, na Fnac, não teve medo de o fazer apenas de t-shirt.
Mal terminara o showcase, o one-man-band manifestava-nos uma preocupação: precisava do seu slide -uma pecinha de metal para colocar no dedo e conseguir efeitos diferentes na guitarra. Ao que parece a dita havia-se perdido no espectáculo atarefado da noite anterior. Soluções? A primeira foi ir a uma farmácia à procura de um frasco de vidro com formato semelhante. No entanto nem com a ajuda de Pedro Seixas, o seu companheiro de viagem por Portugal, a missão foi bem sucedida. Segunda solução: ir a uma loja de bricolage! Ao fim de algumas voltas aos corredores lá encontrámos um tubo de metal em tudo igual ao usado pelos músicos, com uma excepção: tinha dois metros. Lá teve que ser, um tubo de dois metros e dez minutos na mesa de self-service, com serrotes gastos, até que conseguíssemos a tão desejada peça de 6 centímetros.
Finalmente.
Foi com essa estranha sensação de vitória que partimos em direcção às margens do rio Pavia, destino para as gravações desse dia feito noite, que as réstias de luz foram passadas na bricolage.
Já no destino, a previsão não mentia e o frio era cortante, mas Guilio que trouxe a Portugal o projecto intitulado "Spookyman", não se assustou, e sobre um chão iluminado tocaram-se dois temas do seu trabalho (que apesar dos três anos de existência e das várias digressões não tem qualquer disco gravado).
Por fim, a noite chegou ao Lugar do Capitão para jantar e dar outro espectáculo. O bar estava cheio e houve até algumas músicas a pedido, já o italiano sorria inevitavelmente ao fim de cada tema. Finda a música, a despedida fez-se com um abraço que os italianos, a acreditar no homem-orquestra, são gente quente.
Mais se pode ouvir na sua página oficial.


ou no Youtube: Train Blues | River Night



26 janeiro, 2012

Osso Vaidoso

Janeiro é um mês de chuva e frio, mas este ano é de fintas e o dia mostrou-se soalheira e só escureceu pouco antes da participação de Osso Vaidoso, chegados a Viseu oriundos do Porto.
Assim, à procura de alguma luz, fomos até ao mais alto camarim dos vários no Teatro Viriato, e foi ali, no último piso que se deu asas à música.
A simpatia de Ana Deus, mais conhecida, porventura, pela sua participação nos Ban (anos 80) e mais tarde em Três Tristes Tigres, onde se cruzou com Alexandre Soares, um dos pais de GNR e aqui guitarrista que completa o dueto, facilitou as gravações.
Sempre com uma postura descontraída e de sorriso nos lábios, o grupo acomodou-se no camarim, com a vocalista a sentar-se em cima da mesa enquanto Alexandre optava por uma convencional cadeira. O resultado foram dois temas do seu álbum Animal, considerado pelo Jornal de Artes e Letras como "um dos melhores discos portugueses", vindo de um das "melhores vozes do pop nacional". Foi esse o talento que se demonstrou no foyer do Teatro Viriato, já mais tarde, e a verdadeira razão da sua visita a esta terra.
Agora fique-se com Bem e Mal e Madame, já para descobrir um pouco mais da banda, há sempre a sua página online, e melhor: o disco disponível para download gratuito.


ou no Youtube: Bem e Mal | Madame



04 dezembro, 2011

B Fachada

B Fachada chegava a Viseu um dia antes dos dois espectáculos agendados para o Teatro Viriato. O calendário marcava 2 de Dezembro, precisamente o dia do lançamento oficial do seu segundo disco de 2011 - continua a cumprir a promessa de dois álbuns por ano. Já este disco chegou às montras sem qualquer nomeação, permitindo novamente a designação de B Fachada, como em 2009, mas não foi pela data especial que B Fachada de coibiu de fazer parte deste projecto, pelo contrário.
O cantautor, oriundo de Cascais, tem-se destacado nos últimos quatro anos como um caso à parte no panorama musical português. O "folclore erudito" como designa tem enchido salas por todo o país e o som cresce e amadurece a cada álbum, tanto nas letras, incomodamente sinceras, como no à-vontade com os instrumentos.
Já o jantar passava a primeira hora de digestão quando chegámos ao Hotel Grão-Vasco, onde Bernardo Fachada estava alojado, e encontramos o sítio ideal para tocar: uma pequena sala de estar junto do hall de entrada que nos foi indicada pela simpatia do recepcionista. Depois de encontrar a melhor tomada para ligar o amplificador laranja estava todo a postos para a música.
Foi com o recentíssimo "Sozinho no Róque", tema que abre o seu último disco que começou a sua participação no Musiquim. Em seguida, houve ainda tempo de ouvir "Tema do Melancómico", tema incluído no álbum "Há Festa na Moradia". Depois, após dois dedos de conversa já se fazia tarde e o dia seguinte seria longo, estava na hora do sono.
Conheçam mais sobre a música do artista na sua página oficial, que inclusive disponibiliza alguns álbuns para download gratuito.





20 novembro, 2011

Gobi Bear

Gobi Bear é um projecto recente, mas Diogo já o levou a passear pelo país com presenças no FMI (Festival de Música Independente), Guimarães Noc Noc, e muitos outros. Para o seu primeiro concerto em Viseu, Diogo pôde contar com bastante frio e o Musiquim não lhe quis facilitar a tarefa.
Era ainda hora de lanche e já anoitecia quando o cantautor chegou. Para além do frio constante, o tempo era pontuado pela chuva. Alguma espera e aproveitando uma aberta mais longa, o Musiquim e Gobi Bear ganharam coragem e subiram até ao centro histórico. O local escolhido estava próximo: a linha do funicular.
Para a cidade de Viseu, o funicular, construído em 2009, destaca-se nem que seja pela sua raridade (existem 7 activos em Portugal e o último havia sido construído em 1923). A linha é sinalizada com pequenas luzes no chão o que dá ao local um ar natalício durante todo o ano.
Chegados à linha e preparados para tocar (o assento para o cantautor foi uma mala de viagem improvisada), só não contávamos com a hostilidade de uns cães que habitavam ali ao lado. Ladraram. Ladraram. Ladraram. Bater o pé resultava, mas por pouco tempo. Ladraram mais.
Só por desinteresse é que se acalmaram e permitiram as gravações. Primeiro Wooden Toys, tema ainda não editado, que por um triz não foi interrompido pelo funicular a descer no horário das 18h. Depois, para se proteger da chuva, Mr. Allen's Desert Scenario foi interpretado na curta escadaria que dá entrada à estação sul do funicular. Vencido o frio e a chuva, dava-se por terminado o lado convencional do episódio Musiquim.
No entanto a noite continuou e foi feita de conversas até à hora do concerto no Lugar do Capitão.
É importante dizer que Gobi Bear conta com um EP recentemente editado e disponível para download gratuito e já está a preparar o segundo. Foi dele que apresentou várias músicas durante o concerto dessa noite. A pedido do cantautor e com direito a exclusivo, o Musiquim gravou Monica 2. O tema sem lançamento previsto resulta melhor em palco onde há electricidade e desde que foi dada a conhecer que tem feito as delícias de quem escuta. Hoje chega pela primeira vez ao universo online.
Conheça mais sobre o trabalho de Gobi Bear no seu facebook.







20 setembro, 2011

Márcia

A história de Márcia tem várias linhas e é descrita, quase sempre, com muita poesia. A música inspira e o seu primeiro trabalho "A pele que há em mim", resultado de vários anos de composições e aperfeiçoamentos, foi editado pela Optimus Discos e está disponível para download gratuito. Mais recentemente, com "Dá", as suas músicas revestiram-se de outros instrumentos e é impulsionada pelo sucesso destes temas que percorre o país.
Em Agosto de 2011, Márcia visitou a Feira de S. Mateus. Graças à ajuda da Expovis, que facilitou todos os acessos e contactos, e uma disponibilidade enorme por parte da cantautora o Musiquim teve finalmente a sua primeira voz feminina a solo.
Márcia viajou desde Lisboa, o trajecto foi longo e o calor intenso tornou-se pesado. Ainda assim, depois de tomar um pouco de ar fresco e passear um pouco pela Feira, Márcia estava pronta para a sua interpretação, desta vez despida dos instrumentos que ultimamente a têm acompanhado.
O regresso à guitarra e voz doce de Márcia fez-se dentro da Penélope, uma caravana reformulada para Teatro Mais Pequeno do Mundo a partir das 21h e que aquela hora estava fora de serviço, mas disponível para nos receber. O interior estava recheado com panóplia de acessórios que os vários artistas usam nas suas performances, mais agora que lá fora uma tempestade tropical ameaçava cair sobre Viseu.
Ouvia-se o ruído do vento forte e trovões ao fundo quando a cantautora fez ressoar os primeiros acordes. Quase automaticamente o toldo que caíra e fazia agora barulho por cima de nós, os carrinhos de choque, toda a Feira, passou para segundo plano e escutaram-se palavras frágeis, fortes.
Para quem estas músicas não chegam, há mais na página da autora.


ou no Youtube: Sem Nome | Pudera eu



08 agosto, 2011

Homem ao Mar

A visita de João Moutinho, Mário Moreira e José Martins, que juntos formam Homem ao Mar foi apenas confirmada já muito perto da sua visita a Viseu, por ocasião de um showcase na Fnac. Mas não foi por isso que não houve tempo para arranjar o canto mais adequado para o grupo que mar em Viseu não iria encontrar pela certa. Por isso o Musiquim foi à procura da segunda melhor coisa para pôr o Homem: uma piscina. E vazia. Este último não era requisito, mas antes inevitabilidade. Já lá iremos.
A tarde começou com um showcase para uma sala agradavelmente composta, não só pelas pessoas que ocupavam a maioria das cadeiras, mas também por aquelas que estando de passagem se deixavam cativar e iam ficando para escutar a música de Homem ao Mar. A formação com origens no Porto e Vila Real ainda não tem um CD editado, no entanto já viu o seu talento reconhecido este ano pelos Novos Talentos Música Fnac onde conta com um tema publicado.
Após o concerto, os aplausos e as apresentações, foi tempo de arrumar os instrumentos e fazer uma curta viagem até à piscina vazia da Contraluz, uma empresa local de design e comunicação de boa gente e com uma espaço lindíssimo.
A recepção foi acolhedora e para além da piscina à qual rapidamente foram acrescentados uns bancos para maior conforto, havia também dois carros cheios de história como pano de fundo. Poucos preparativos depois, Homem ao Mar estava pronto a tocar. Faltava apenas ajustar e colocar o novo microfone a bem da captação de som, ora, como nos foi impossível fazê-lo de forma minimamente discreta achámos por bem assumir a sua presença com um extintor. Assim foi, e assim se gravou o electrizante, mas acústico, "Beijos à Madrinha".
Depois dos "Beijos", o fascínio pelos carros arrastou-nos para dentro de um. O carocha azul estacionado no meio de relvado foi o local ideal para interpretar "Adeus, até mais ver".
Foi um final de tarde muito bem passado na companhia da Contraluz (Raquel, Humberto e Susana), da Ana Seia de Matos que tirou as fotografias, e dos Homem ao Mar. Fica aqui uma curiosidade sobre a banda: João Moutinho (que escreveu e compôs os temas para além de lhes dar voz, também toca guitarra, embora a sua formação seja piano; já Mário Moreira que acompanha com uma segunda guitarra e voz, tem na sua preferência o baixo; por fim, José Martins que tipicamente toca guitarra, é o percursionista desta banda. Pode ser apenas coincidência, mas ao desviarem-se dos seus instrumentos de conforto, cada um dos músicos de Homem ao Mar foi capaz de chegar a uma sonoridade única e interessantissima que terá, concerteza, muitas cartas a dar no panorama da música nacional, e não só.
Visitem a página do grupo e fiquem a conhecer um pouco mais da sua sonoridade.





10 julho, 2011

Maybe The Next One

Ao contrário do comum, quando falámos com Manuel Molarinho já este tinha aceite um convite para participar no Musiquim. No entanto a tarefa não se revelava simples: o músico, envolvido em vários projectos estava agendado para visitar Viseu para um showcase na Fnac. Veio para promover O Manipulador, projecto que lhe valeu a presença no Novos Talentos Fnac Música'11. No entanto o estilo marcadamente alternativo e experimental com recurso a looping pedals representava um impedimento para o Musiquim, que ao levar as bandas para a rua deixa a electricidade em casa, obrigando assim que todas as actuações sejam acústicas.
Ciente disso, Manuel Molarinho convidou Sofia Arriscado (juntos formam: Maybe The Next One) para fazer uma adaptação de um dos seus temas usando apenas guitarra acústica e voz.
Assim, quando chegou a Viseu e depois de uma showcase cheio de energia, fomos até ao centro da cidade onde fomos dar com um cantinho muito agradável: um arco perto da Rua Escura. Decidido o sitio, encontrada a posição mais agradável para tocar e escondido o microfone atráves de uma muito pouco convencional e nada discreta porta de metal, os Maybe The Next One estavam prontos para a sua versão de I Know, d'O Manipulador. A seguir, como bónus, tocaram uma das suas músicas originais: Shoot Me. E assim se fez um excelente final de tarde.
Para conhecer mais do trabalho desta banda, visitem o seu soundcloud ou página no facebook.


ou no Youtube: I know | Shoot Me



07 julho, 2011

Birds Are Indie

Birds Are Indie são Jerónimo e Joana. O próprio nome denuncia o estilo, a banda indie de Coimbra têm crescido e na sua vontade de percorrer o país chegaram até Viseu. Era a primeira vez que a sua música estava agendada para estes lados, desta feita no Lugar do Capitão, um bar que muito tem feito pelas boas noites culturais na cidade, seja com concertos, mas também exposições, workshops, etc.
Apesar da hora mais tardia do concerto, era ainda dia quando Jerónimo e Joana chegavam ao seu destino. Feitos os cumprimentos iniciais e já com as coisas algo delineadas estávamos num bom caminho para começar as gravações. Primeiro escolheram-se os temas e depois os instrumentos. Há que fazer referência à quantidade de instrumentos que o dueto trouxe, alguns feitos por eles mesmos, outros que são claramente para crianças, mas que Birds Are Indie aproveitam e reciclam de forma muito delicada nas suas músicas.
Depois de um ténue aquecimento percorremos as várias salas do Lugar do Capitão até que o Musiquim descobriu o sítio ideal, naturalmente fora do palco, para as melodias dos Birds Are Indie: Joana sentada numa cadeira de barbeiro ao fim de um corredor e, ao lado, Jerónimo em pé, com a guitarra. Depois acrescentou-se o detalhe da revista dos Nirvana e a música estava pronta para fluir. Os resultados apresentam-se hoje.
Para conhecerem e ouvirem um pouco mais do trabalho desta banda visitem o seu bandcamp, mas não deixem de conhecer as sua cassete (que reúne os dois EP's editados nos dois lados da cassete e nos recorda essa velha tradição de trocar o lado quando o outro termina).




27 junho, 2011

"Crooked John" por A Jigsaw

No passado dia 20 de Junho celebrou-se o Dia Internacional Viseense e como foi anunciado, depois de uma prova de vinho e a apresentação do sexto cromo Viseupédia, os A Jigsaw "subiram" ao palco para dar um pequeno concerto.
A casa não lhes era estranha, a Empório já os recebera para a sua 1ª participação no Musiquim, mas desta vez enchia-se de gente para poderem escutar, entre outras, a música original que compuseram sobre João Torto: Crooked John.
O desafio foi lançado pelo Musiquim apenas 20 dias antes da data de apresentação, no entanto esta música inspirada na figura histórico-lendária de João Torto está, na opinião parcialissima do Musiquim, fantástica e pode ser ouvida no vídeo abaixo, já a letra pode ser consultada aqui.


ou no Youtube: Crooked John (com legendas)

Para conhecer um pouco melhor o que levou a este resultado, os A Jigsaw contam-nos a sua versão da história nas palavras de João Rui:
"O Luís convidou-nos a escrever a música do João Torto numa noite chuvosa e fria de Janeiro. Talvez assim não tenha sido, mas é assim que gostamos de o recordar. Falou-nos de um João Torto que, em Viseu, no dia 20 de Junho de 1540, se precipitou da Torre da Sé com um par de asas por si desenhadas. Talvez também assim não tenha sido, mas preferimos acreditar que sim, pois é dessa forma que a lenda o recorda. Ocupámos então a cadeira do bardo para escrever a canção deste herói sem factos que se lançou da torre com pouco mais do que esperança e que não sobreviveu para perpetuar a história do que viu nesse fatídico voo. É um exercício interessante, o de escrever sobre um tema que não foi nossa escolha: há que encontrar o que é de nossa pertença na matéria sobre a qual nos vamos debruçar para depois ser nossa a sua história. Neste caso curioso do João Torto, foi como se ele esperasse esta canção para que a pudéssemos escrever.
Que vertigem foi essa que tornou a sua queda numa lenda?"

Do concerto ao vivo na Empório, o Musiquim e os A Jigsaw disponibilizam para download gratuito todos os temas interpretados nessa tarde incluindo o tema inédito "Crooked John".




(Crooked John, primeiro esboço)